Se você está usando ou pensou em usar um desses medicamentos que viraram assunto (semaglutida, conhecida como Ozempic ou Wegovy, e tirzepatida, o Mounjaro), provavelmente já reparou na quantidade de gente perdendo peso com eles. E o efeito na balança é real: a evidência mostra reduções de peso bem expressivas.
Mas tem uma pergunta que aparece pouco nas conversas e que importa muito pra quem se preocupa com saúde de verdade: você está perdendo gordura, ou está perdendo músculo junto? Aqui na Educação Física Pro a gente não fala sobre a medicação em si (isso é decisão e acompanhamento da sua médica ou do seu médico, e não da gente). O que a gente domina, e onde a gente pode te ajudar, é no papel do exercício e do músculo nessa história. Vamos por partes, com honestidade sobre o que a ciência já sabe e o que ainda é incerto.
Quando o peso cai rápido, ele costuma vir de dois lugares: a gordura (que é o que a gente quer perder) e a massa magra, que inclui o músculo. Isso vale pra qualquer emagrecimento, com ou sem remédio, mas nos estudos com GLP-1 dá pra ver isso com clareza.
No subestudo de composição corporal do SURMOUNT-1 (o grande ensaio da tirzepatida), as pessoas que perderam peso perderam, em média, cerca de 75% como gordura e cerca de 25% como massa magra (Look et al., 2025). Ou seja, em torno de um quarto do peso perdido não era gordura. No STEP 1, o grande ensaio da semaglutida, o padrão foi parecido: caiu gordura e caiu massa magra, ainda que a proporção de massa magra em relação ao corpo todo tenha até aumentado um pouco (Wilding et al., 2021).
Vale uma ressalva de honestidade: esses dados de composição corporal vêm de subgrupos menores dentro dos estudos, e em alguns casos foram análises exploratórias. A foto geral é consistente (perde-se gordura e também alguma massa magra), mas os números exatos variam de pessoa pra pessoa e de estudo pra estudo.
Músculo não é só estética. Ele é tecido metabolicamente ativo e ajuda a definir quantas calorias o seu corpo gasta em repouso: o músculo esquelético é um dos principais determinantes do gasto energético de repouso (Zurlo et al., 1990). Traduzindo: quando você perde músculo, seu metabolismo de base tende a ficar mais baixo.
Isso tem implicação prática direta. Menos músculo costuma significar menos força pro dia a dia, mais dificuldade de subir escada, carregar compras ou levantar do chão, e um corpo que gasta menos energia parada. E aqui entra um ponto sensível: se a pessoa em algum momento recupera parte do peso (o que pode acontecer), o risco é recuperar gordura sem ter recuperado o músculo que se foi. Você acaba mais pesada e com menos força do que antes. A evidência sobre esse ciclo específico em quem usa GLP-1 ainda é limitada e está sendo estudada, então a gente prefere falar em "tende a" em vez de cravar.
Aqui está a boa notícia, e é onde a gente entra de verdade. Você não fica só assistindo o músculo ir embora. O treino de força (resistência) é o estímulo que mais protege a massa magra durante a perda de peso.
Uma meta-análise mostrou que treinar em déficit de energia prejudica o ganho de massa magra, mas não prejudica o ganho de força (Murphy & Koehler, 2022). Repara na nuance: mesmo quando o corpo está em déficit e não é o cenário ideal pra construir músculo, continuar treinando força protege a sua capacidade de produzir força e dá ao corpo o motivo pra preservar o tecido que ele tem. Sem esse estímulo, o corpo entende que aquele músculo é "dispensável" e tende a sacrificar mais dele.
Não precisa virar atleta. Precisa de constância, de carga adequada pro seu nível e de progressão ao longo das semanas. É exatamente esse tipo de plano, ajustado pra você, que uma profissional de Educação Física com CREF ativo monta e acompanha.
Treino de força e proteína adequada andam juntos. A construção e a manutenção de músculo dependem do estímulo (treino) somado à matéria-prima (proteína). A literatura indica que combinar treino resistido com ingestão proteica adequada favorece a preservação da massa magra durante o déficit, mais do que o déficit sozinho.
E aqui vem um detalhe importante com esses medicamentos: como eles reduzem o apetite, é comum a pessoa comer bem menos no total, e a proteína acaba ficando de fora sem querer. Por isso esse cuidado merece atenção. Só que dieta e quantidade exata de proteína não são o nosso campo: quem prescreve isso com segurança é a nutricionista, levando em conta a sua saúde, seus exames e a sua rotina. A gente trabalha lado a lado com esse acompanhamento, cada uma na sua especialidade.
Nada disso é argumento contra ou a favor do medicamento (de novo, essa conversa é com quem te acompanha clinicamente). É um convite pra somar. Quem está perdendo peso, com remédio ou sem, tende a sair muito na frente se incluir treino de força consistente e cuidar da proteína junto com a nutricionista. A evidência sugere que essa combinação é o que transforma "perder peso" em "perder gordura preservando músculo", que é o desfecho que realmente sustenta saúde, função e resultado ao longo do tempo.
O peso na balança conta uma parte da história. A sua força, a sua disposição e o seu músculo contam o resto.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação individual de profissional habilitado. Quer transformar a sua perda de peso em ganho de força, preservando o músculo do jeito certo pra você? A Equipe Educação Física Pro tem profissionais com CREF ativo prontas pra montar e acompanhar o seu treino. Vem com a gente dar o seu primeiro passo.