Três anos de Educação Física: o que mudou e como a área respondeu
Um balanço sóbrio do que ganhou força (literalmente) entre 2023 e 2026, e o que isso pede da prática
Um balanço sóbrio do que ganhou força (literalmente) entre 2023 e 2026, e o que isso pede da prática
Os últimos três anos não tiveram uma manchete só, mas tiveram uma direção. O exercício orientado se firmou como ferramenta de saúde, e o treino de força saiu da sombra do "cardio" para ocupar o centro da conversa. Reunimos aqui o que mais importou no período e o que isso pede da prática profissional.
Por muito tempo o debate público sobre exercício girava em torno do trabalho aeróbico. Isso mudou. O treinamento de força voltou ao topo das tendências internacionais (o ACSM o recolocou entre as principais de 2026) e ganhou espaço também na ciência. Em 2026, o trabalho excêntrico, a fase em que o músculo produz força enquanto se alonga, passou a ser discutido como forma de ganhar força com menos desgaste, com atenção especial a pessoas idosas. A leitura prática é simples: força não é "extra", é base.
Os números ajudaram a sustentar essa virada. Estudos de grande porte reforçaram que volumes acessíveis de atividade física já reduzem o risco de morte, e dados nacionais, como os do ELSA-Brasil, mostraram quedas relevantes com cerca de 150 minutos por semana. O recado para a área foi menos sobre "treinar muito" e mais sobre tirar a pessoa do sedentarismo com consistência e acompanhamento.
A popularização dos análogos de GLP-1, como a semaglutida e a tirzepatida, mudou o cenário do emagrecimento e trouxe uma pergunta direta para a Educação Física: como preservar massa muscular durante uma perda de peso acelerada? A literatura vem apontando o treino de força e a atenção à proteína como peças centrais, sempre com cada profissional no seu papel. Medicação é assunto médico, dieta é da nutrição, e o estímulo do músculo é onde a Educação Física atua.
O envelhecimento ganhou corpo como tema. Pesquisas, inclusive brasileiras, detalharam como o exercício, em especial o resistido, ajuda a preservar massa, força e função ao longo da vida, com impacto sobre autonomia e qualidade de vida. A sarcopenia deixou de ser uma palavra técnica distante e virou pauta de prevenção.
Talvez a mudança mais silenciosa tenha sido o reconhecimento do próprio papel. O profissional de Educação Física foi cada vez mais situado dentro da área da saúde, e a evidência sobre supervisão profissional, na saúde mental, na adesão e na segurança, reforçou o que a prática já sabia: o "como" e o "quanto" do exercício precisam de quem entende.
Se há um fio condutor, é este: o exercício orientado se firmou como ferramenta de saúde, e a força ocupou o lugar que merecia. Para quem treina, significa menos modismo e mais consistência. Para quem prescreve, significa basear escolhas em evidência, respeitar os limites de cada profissão e ajustar o estímulo à pessoa real que está na frente. Nada disso é manchete. É trabalho.
Esta retrospectiva reúne temas cobertos pela Equipe EFP ao longo do período, com base em fontes públicas como o ACSM, o estudo ELSA-Brasil, o Jornal da USP e a Agência FAPESP.