Nunca treinamos tanto. E nunca pesamos tanto. O que a Vigitel 2025 revelou
Em 18 anos, a obesidade adulta no Brasil mais que dobrou. No mesmo período, a atividade física no lazer subiu 40%. Como esses dois movimentos coexistem?
Em 18 anos, a obesidade adulta no Brasil mais que dobrou. No mesmo período, a atividade física no lazer subiu 40%. Como esses dois movimentos coexistem?
O Brasil tem mais gente treinando do que nunca. A Vigitel 2025, divulgada no fim de janeiro de 2026, mostrou que 42,3% da população adulta faz pelo menos 150 minutos de atividade física no lazer por semana, contra 30,3% em 2009. É um salto de 40% em 15 anos.
A notícia parece boa. Mas tem uma segunda metade.
No mesmo intervalo, a obesidade adulta cresceu 118%. O diabetes, 135%. O excesso de peso passou de 42,6% pra 62,6% da população. Hoje, 6 em cada 10 brasileiros adultos estão acima do peso.
Ou seja: mais gente treina, e mais gente engorda. Ao mesmo tempo.
A Vigitel separa atividade física em duas dimensões. Tem a do lazer (que subiu) e tem a do deslocamento, que mede quem usa caminhada ou bicicleta como meio de transporte.
Essa segunda caiu de 17% em 2009 pra 11,3% em 2024.
É uma queda de um terço em 15 anos. Em paralelo, o tempo médio sentado aumentou em quase todas as faixas etárias. O brasileiro adulto está dirigindo mais, usando aplicativo mais, fazendo home office mais e caminhando menos.
Enquanto a conversa pública sobre exercício gira em torno de academia, hipertrofia e cardio voluntário, o que a Vigitel sugere é que o problema talvez esteja fora da academia. Uma hora de musculação 3 vezes por semana é uma adição importante, mas não substitui as 8 a 10 horas sentadas que vieram em troca da caminhada que sumiu da rotina.
A literatura de saúde já vinha falando disso há alguns anos com o termo NEAT (Non-Exercise Activity Thermogenesis): o gasto energético que vem de tudo que não é exercício programado. Subir escada, caminhar até a padaria, ficar em pé, andar pela casa enquanto fala ao telefone. É justamente essa camada que parece estar se erodindo.
A pergunta de avaliação muda. Não basta saber quantas vezes por semana a aluna treina. Vale perguntar:
E a prescrição passa a precisar de duas pernas: a sessão estruturada (que ela já sabe que existe) e a movimentação espontânea (que talvez nunca tenha entrado na conversa).
A Vigitel 2025 não traz uma resposta pronta. Mas faz uma pergunta difícil de ignorar.
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Fontes: